Era um dia cinzento. Às vezes gosto de parar pra observar o tempo. Ia começar a chover em breve, e já estava escurecendo. Estava lá, na varanda, sentado nos degraus e sentindo o vento em meus cabelos.
Suas mãos me envolveram. Alvas como a neve imaculada e macias como uma rosa desabrochando. Depois disso, silêncio.
A tempestade de vento cessara, e senti seus lábios em minha nuca.
Havia naquilo tudo um sentido oculto.
-Podia ter ficado lá dentro, vai se resfriar- eu disse.
-Eu precisava me despedir- ela me disse, interrompendo seus pensamentos.
A pior parte de ir embora por motivos que não se pode falar é justamente a necessidade de não se despedir. Você não se ilude com um "eu te amo" e ela não espera um retorno.
Seria perfeito.
Se não machucasse tanto.
Me levantei e agarrei-a, puxando seu corpo macio para mais junto de mim. Depois disso, silêncio.
Eu não podia nem queria dizer adeus. Então começou a chuva. Ah, a chuva.
Ficamos abraçados em silêncio, esperando a noite cair. Mas uma lágrima caiu antes.
Não podia voltar atrás agora. Comecei a andar, sentindo suas mãos gélidas agarrando-se ao meu braço. Fingi não ouvir suas juras de amor, seus suspiros e nem o som de seu cabelo se molhando. Ao invés disso, sucumbi às sombras a que me entregava. E depois, nada.
Só a sua compania.
Ele.
O silêncio.
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